O AUTOR   

         Tarcisio Lage nasceu em Abaeté nos idos de 1941 quando o cerrado mineiro ainda existia.  Antes dos quatro anos já lia  Juca e Chico, Max und Moritz de Wilhelm Busch, na tradução magistral de Olavo Bilac. Bom, lia, às vezes, de cabeça para baixo de tanto que ouviu a história, a mais sádica e deliciosa de todas. Daí seu humor puxado às vezes para o satânico.


         Crescidinho foi para Belo Horizonte e quase fundiu a cuca perdido em números e equações de um curso de economia na UFMG, interrompido pelo golpe de 1964. Na época, já tinha trocado  Juca e Chico pelo Livrinho Vermelho do Mao, penou para ler o primeiro volume de O Capital e devorou as obras completas de Lenin. Por pouco seu humor endiabrado não cedeu ao determinismo do líder bolchevista e ao sectarismo concentrado no didatismo do Grande Timoneiro. Enfim, lutou contra a ditadura nas “hostes” do PC do B e da Ala Vermelha, exilou-se no Chile quando a memória do que tinha lido em Juca e Chico indicou-lhe que todas as organizações da luta armada estavam rumo ao pau-de-arara, a tortura e os assassinatos selecionados pelos ditadores. E imbuídas da crença paternalista de que podiam fazer a revolução para as massas. Erradas e certas, pois contra ditadura sempre é preciso lutar.

         No jornalismo, Tarcisio começou na redação da Última Hora de Belo Horizonte e delas, as redações, nunca mais saiu, até se aposentar como coordenador do Serviço Brasileiro da Rádio Nederland, em Hilversum, na Holanda, em 2002, depois de ter passado pelos serviços brasileiros da Rádio Suíça Internacional e da BBC de Londres. No Brasil, antes do AI-5, percorreu um punhado de redações do Rio e São Paulo, participando da reabertura da Folha da Tarde, quando Frias, o velho, imitando os Mesquitas com o Jornal da Tarde, pagou para ver se uma publicação mais à esquerda rendia grana. Durou pouco. A Folha da Tarde endireitou de vez, virou porta-voz da ditadura e Tarcísio, condenado pela Injustiça Militar, já estava no exílio e tinha, na época, escrito algumas peças de teatro, contos e o rascunho de uma novela até hoje inacabada. Foi em 1993 que publicou seu primeiro romance, OS MUROS DE JERUSALÉM, pela Editora Estação Liberdade. É esse livro, completamente reescrito e atualizado, que está sendo relançado pela Editora Batel com o título JERUSALÉM DESTRUIDA.

 

          Tarcisio Lage publicou três outros romances: EU, CIDADE, A JANELA e AS TRANÇAS DO PODER, esse último, também, pela Editora Batel.

 

          O que Tarcísio faz agora? Escreve, ora bolas, na sua casa em Hilversum, rodeado de bosques, onde faz suas caminhadas. E com uma vantagem: pertinho de Amsterdam.

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